sábado, 23 de novembro de 2013

Uma história tanto real quanto fictícia de um casal que foram separados pelo destino.


Em noites quentes me lembro de ti. Enquanto as estrelas estão unidas em constelações eu estou só. Lembro-me das noites em que sentava à sua frente e ficava te olhando, seus olhos revelavam aquilo que as tuas palavras ocultavam e os nossos lábios transmitiam para os nossos cérebros que o nosso beijo era o mais perfeito. Todos aplaudiam quando nos viam naquela sintonia. Sabíamos que um completava o outro e nada jamais mudaria isso.
Em todas as manhãs, enquanto caminhávamos juntos pela avenida, o vento batia forte em meus cabelos e você sorria. Me abraçava forte, dizia que me amava e que ficaríamos juntos para sempre. Nunca esqueci daquele dia em que vimos um casal com dois filhos brincando na praça, seus rostos transbordavam felicidade. Você me disse que dali há alguns anos seria a nossa vez. Queríamos ter um casal de filhos, a Sophia e o Pedro. Imaginei os dois com o seu olhar e a sua sabedoria. Seriam as crianças mais amadas e gentis do mundo.
Nossos sonhos estavam desenhados na areia da praia, lindas esculturas mostravam o quão lindo seria o nosso futuro. Mas em um dia de tempestade, a chuva e a maré avançaram e levaram consigo os nossos mais lindos desenhos. Foram apagados da areia, mas não dos nossos corações.
Até que um dia, acordei em meio a trovoadas e raios ao soar da campainha. Era você lá de fora, vestindo a sua camisa preta e seu casaco de couro, o meu preferido. Corri até a porta para que você não mais se molhasse. Estava chovendo forte. Quando olhei em seu rosto vi que não estava sorrindo. Suas feições estavam fechadas e eu me preocupei.
Você entrou e se secou enquanto eu fazia um café. Voltei até a sala e me sentei ao teu lado. Seu rosto estava imerso em lágrimas, eu te abracei, como se tudo dependesse disso. A notícia ruim estava para ser dita. Inconsolado e ao mesmo tempo bravo, foi quando falou que iria morrer.
Meu mundo parecia desmoronar. Te abracei novamente e como se tivesse poder sobre a morte, disse que isso não aconteceria.
A partir daquele dia comecei a cuidar ainda mais de você. Nos casamos e todos os dias quando acordávamos, juntos fazíamos uma oração e  suplicávamos por um milagre. Grande era a certeza de que ele seria alcançado e tu seria curado. 
Quando começou as seções de quimioterapia, eu sempre ia contigo até o hospital. Estava derrotada por dentro, mas para não te preocupar demonstrava ser forte. Eu sorria, para parecer bem, mas meu coração ardia e chorava pelo medo de te perder. Você era a minha vida e eu não sobreviveria sem ter-te comigo.
Passaram-se algumas semanas e você não resistiu. Sua morte não pôde ser impedida, mas seu enterro foi lindo. Tive a certeza de que os anjos te levariam para o céu e que um dia, nos encontraríamos novamente.
Não tivemos tempo para realizarmos todos os nossos sonhos, mas os momentos que pudemos estar juntos, foram incríveis. O nosso amor não acabou com a sua partida, a cada dia que se sucedeu a isso, eu te amei. 
O amor é puro e duro como a morte e ele não ficou esquecido dentro de um baú de tesouros, debaixo da terra. Alguns dias depois que você se foi, soube que estava grávida de gêmeos.
Exatamente 9 meses depois, nasceram a Sophia e o Pedro. Foi um presente que Deus mandou para me ajudar a continuar a minha caminhada. Eles eram as crianças mais lindas que eu já tinha visto. Seus olhos e os sorrisos eram idênticos aos seus. Como tínhamos planejado, eles cresceram gentis e sábios, assim como o pai. Ensinei-lhes o valor do amor e mostrei que apesar das diversidades, todas as pessoas estão propícias a amar. Caminhei com eles até aquela praça e enquanto eles brincavam no escorregador, um vento forte bateu em meus cabelos. Eu senti que era um sinal de que de alguma forma, você estava feliz por nós e que continuava amando a mim e aos nossos filhos. Meu coração sentia a tua falta. E por mais tristes e sombrios que os dias pareciam ser, a Sophia e o Pedro, frutos do nosso amor, me faziam sorrir e sempre me mostravam que apesar da separação da carne, sempre seríamos uma linda família. Queria que você pudesse ler o breve relato que faço agora da nossa história. Nós dois sabemos que estas palavras nunca serão suficientes para mostrar o que vivemos. Os leitores jamais saberão o quanto era maravilhosa a nossa convivência. Mas quero dizer a eles que eu e você fomos feitos um para o outro, e o nosso amor jamais vai morrer. Eu te amo!

(Escrevi em uma noite enluarada, quando não tinha palavras reais para dizer, então com uma pitada de criatividade inventei algo tão lindo que parece real).

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